As Muitas Arqueologias das Minas Gerais

  • André Prous

Resumo

Apresentamos uma história crítica das pesquisas em arqueologia - particularmente pré-histórica - realizadas em território mineiro desde o século XIX. Após a fase do pioneirismo (P. Lund, amadores diversos), missões internacionais estudam a região de Lagoa Santa no terceiro quarto do século XX, enquanto o Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas (PRONAPA) inicia levantamentos no alto vale do rio São Francisco. Com a abertura de pesquisas mais sistemáticas pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) no Norte mineiro e a criação do Setor de Pesquisa da UFMG, na segunda metade dos anos de 1970, abre-se uma fase de pesquisas mais intensivas e regionais, tematicamente diversificadas. O início deste século XXI é marcado pela multiplicação das pesquisas preventivas e de resgate, a emergência de novos centros de pesquisa e a criação de cursos de formação de arqueólogos na UFMG. O Patrimônio pré-histórico de Minas Gerais é notável pela importância de preservação de materiais perecíveis, de restos esqueletais humanos de grande antiguidade, pela riqueza dos registros rupestres e a variedade regional das indústrias realizadas sobre matérias-primas muito diversas. A arqueologia histórica, cuja importância cresceu exponencialmente nos dois últimos decênios, é marcada pela importância dos vestígios da mineração de pedras e metais preciosos, dos assentamentos de escravos fugitivos e os remanescentes de fazendas antigas, cujo estudo se desenvolveu comparativamente mais que a arqueologia da urbanização e dos monumentos barrocos.

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Publicado
2013-12-24
Como Citar
PROUS, André. As Muitas Arqueologias das Minas Gerais. Revista Espinhaço | UFVJM, [S.l.], p. 36-54, dec. 2013. ISSN 2317-0611. Disponível em: <http://www.revistaespinhaco.com/index.php/journal/article/view/29>. Acesso em: 07 may 2021. doi: https://doi.org/10.5281/zenodo.3967688.
Seção
Artigos