O Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha (PAAJ) e a Área Arqueológica De Serra Negra, Alto Araçuai, Minas Gerais – Aspectos Gerais

  • Marcelo Fagundes

Resumo

O Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha (PAAJ) é desenvolvido pelos pesquisadores do LAEP/UFVJM tendo como objetivo central a realização de investigações arqueológicas em uma ampla área no Vale do Rio Jequitinhonha, em especial o Alto Vale, uma vasta área do território mineiro que não contava com pesquisa acadêmica. A Área Arqueológica de Serra Negra, foco central do PAAJ, está localizada na face leste da Serra do Espinhaço Meridional, entre as bacias do Jequitinhonha e Doce. Está constituída por 65 sítios dividido em três complexos. Todos são abrigos sob rocha (em quartzito), a maioria com presença de painéis rupestres, implantados em diferentes biomas que compõem a área. Este capítulo tem como objetivo apresentar as principais características da área arqueológica discutindo questões referentes à implantação dos sítios na paisagem, características geoambientais e repertório cultural analisado. Como norte teórico optou-se em discutir acerca do conceito de paisagem em Arqueologia, baseado, principalmente, no de lugares persistentes. Para tanto, foi necessário adotar a multidisciplinaridade como base de pesquisa, utilizando métodos e técnicas de várias Ciências para fins arqueológicos. Como resultado espera-se uma compreensão mais assertiva acerca do sistema regional de assentamento, bem como evidenciar as principais características do repertório cultural.

Referências

[1] BAETA, A.; PILÓ, H. Arqueologia em Unidades de Conservação na Região de Diamantina, MG. Anais do XIII Congresso da Sociedade de Arqueologia Brasileira, 2005.

[2] BAGGIO FILHO, H. Caracterização pedológica do sítio Itanguá 01 – abordagem da geoquímica ambiental. IN: FAGUNDES, M. Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha – Relatório 2010-2012. Diamantina-MG: LAEP/UFVJM,
IPHAN/MG. 2012

[3] BINFORD, L. R. Willow Smoke and Dogs' Tails: Hunter-Gatherer Settlement Systems and Archaeological Site Formation. American Antiquity, 45 (01), pp. 4-20, 1980.

[4] BINFORD, L. R. Mobility, Housing, and Environment: A Comparative Study. Journal of Anthropological Research, 46 (02), pp. 119-152, 1990.

[5] BORGES, M. V. Conjuntos estilísticos do sítio Sentinela, Diamantina, MG. Trabalho de Conclusão de Curso. Diamantina, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Bacharelado em Humanidades, 2011.

[6] COSGROVE, D. A geografia está em toda parte: Cultura e simbolismo nas paisagens humanas. In: CORRÊA, R. L.;ROZENDAHL, Z. (orgs.). Paisagem, Tempo e Cultura. Rio de Janeiro: EDUERJ, pp.92-123, 1998.

[7] Mundos de significados: geografia cultura e imaginação. In: CORRÊA, R. L.;ROSENDAHL, Z. (orgs.). Geografia cultural: uma antologia. Rio de Janeiro, Editora da UERJ, vol. 01, pp.105-118, 2012a.

[8] A geografia está em toda parte: cultura e simbolismo nas paisagens humanas. In: CORRÊA, R. L. & ROSENDAHL, Z. (orgs.). Geografia cultural: uma antologia. Rio de Janeiro, Editora da UERJ, vol. 01, pp.219-238, 2012b.

[9] CUNHA, E. F. da. Estudo de cadeia operatória do conjunto lítico do sítio arqueológico Lapa do Chumbinho 01, Serra do Espinhaço Meridional, Diamantina, MG. Trabalho de Conclusão de Curso. Diamantina, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Bacharelado em Humanidades, 2013.

[10] DELFORGE, A. H. O gerenciamento do patrimônio arqueológico do estado de Minas Gerais utilizando-se sistema de informações geográficas. Belo Horizonte, PUC-MG, Dissertação de Mestrado, 2010.

[11] DEMÉTRIO, G. J. de A. Estudo do conjunto artefatual lítico polido do LAEP/UFVJM: uma análise técnico-funcional e um entendimento de cultura em seu caráter diacrônico. Diamantina: Faculdade Interdisciplinar em Humanidades, Trabalho de Conclusão de Curso do Bacharelado em Humanidades, 2013.

[12] DESCOLA, P. Constructing natures: symbolic ecology na social practice. IN: Nature and Society: anthropological perspectives. London: Routledge, pp.82-102, 1999.

[13] EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA. 2006. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos Brasília: Embrapa Produção de Informação - Rio de Janeiro: Embrapa Solos.

[14] FAGUNDES, M. Sistema de assentamento e tecnologia lítica: organização tecnológica e variabilidade no registro arqueológico em Xingó, Baixo São Francisco, Brasil. Tese de doutoramento, São Paulo, Universidade de São Paulo, 2007.

[15] FAGUNDES, M. O conceito de paisagem em arqueologia – os lugares persistentes. Holos Environment, 09 (02), pp. 135-149, 2009. Disponível em: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/holos/article/view/1310

[16] Entendendo a Dinâmica Cultural em Xingó na Perspectiva Inter Sítios: Indústrias Líticas e os Lugares Persistentes no Baixo Vale do Rio São Francisco, Nordeste do Brasil. Arqueologia Iberoamericana, v. 6, pp. 3–23, 2010. Disponível em: http://www.laiesken.net/arqueologia/

[17] As Relações e Conexões entre Arqueologia e Paisagem: do contexto arqueológico ao contexto sistêmico sob a ótica dos lugares persistentes. Rio de Janeiro: Anais II Simpósio Arqueologia na Paisagem, Conferência Magistral, 2011. Disponível em: http://www.eba.ufrj.br/historiadopaisagismo/imag es/arquivos/arqueologia_na_paisagem_2011.pdf

[18] Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha – Relatório 2010-2012. Diamantina-MG: LAEP/UFVJM, IPHAN/MG, 2012.

[19] Arqueologia e Educação - Programa Arqueologia e Comunidades para crianças e adolescentes no vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil. Cinde, Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, pp. 855-869, 2013.

[20] FAGUNDES, M.; PIUZANA, D. Estudo Teórico Sobre o Uso Conceito de Paisagem Em Pesquisas Arqueológicas – do Contexto Arqueológico ao Contexto Sistêmico sob a Ótica dos Lugares Persistentes. CINDE, v.08, n.01, pp-203- 218,2010. Disponível em: http://www.scielo.unal.edu.co/scielo.php?script=sc i_arttext&pid=S1692- 715X2010000100010&lng=pt&nrm=iso

[21] FAGUNDES, M. et al. Implicações Geológicas e Ecológicas para Assentamentos Humanos Pretéritos – Estudo de Caso no Complexo Arqueológico Campo das Flores, Área Arqueológica de Serra Negra, Vale do Araçuaí, Minas Gerais. Revista Espinhaço, 1(1), pp. 41- 58,2012a.Disponível em:
http://www.cantacantos.com.br/revista/index.php/e spinhaco/article/view/169

[22] FAGUNDES, M.; LARA, L. L.; LEITE, V. A. Paisagem cultural da área arqueológica de Serra Negra, Vale do Araçuaí-MG: os sítios do complexo arqueológico Campo das Flores, municípios de Senador Modestino Gonçalves e Itamarandiba. Tarairiú – Revista Eletrônica do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da UEPB, 01 (05), pp. 41.66, 2012 b Disponível em: http://mhn.uepb.edu.br/revista_tarairiu/n5/art2.pdf

[23] FAGUNDES, M. et al. Paisagem Pré-Colonial dos Sítios em Serra Negra: Alto Araçuaí, Minas Gerais
– Implantação, Repertório Cultural e Análise Tecnológica. Revista de Arqueologia, 2013 (no prelo).

[24] FAGUNDES, Marcelo; FERREIRA, M. A arte rupestre na área arqueológica de Serra Negra: estudos cronoestilísticos do sítio Amaros 01 e seu repertório cultural, Itamarandiba, Minas Gerais. Anais do I Congresso Internacional Interdisciplinar em Sociais e Humanidades, pp. 01-10, 2013.

[25] FERREIRA, E. Conjuntos estilísticos da Serra dos Índios: Estudo da arte Rupestre do Alto Jequitinhonha, Planalto de Minas, MG. Trabalho de Conclusão de Curso. Diamantina, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Bacharelado em Humanidades, 2011.

[26] FLORESTA, D. Caracterização estrutural de materiais ferrugionosos de pigmentos de arte rupestre e de cerâmicas de sítios pré-históricos de Minas Gerais, como base para correlações arqueométricas. Relatório de Qualificação de Doutorado. Belo Horizonte. Centro do Desenvolvimento em Tecnologia Nuclear (CDTN), Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais, 2013.

[27] FLORESTA, D. et al. Oxidation states of iron as an indicator of the techniques used to burn clays and handcraft archaeological Tupiguarani ceramics by ancient human groups in Minas Gerais, Brazil. Hyperfine Interactions, v. 224, pp.121-129, 2014.

[28] ISNARDIS, A. Entre as pedras: as Ocupações Pré-históricas recentes e os Grafismos Rupestres da Região de Diamantina, Minas Gerais. Tese de Doutorado. São Paulo, Universidade de São Paulo, 2009.

[29] ISNARDIS, A.; LINKE, V. Pedras Pintadas, Paisagens construídas: a integração de elementos culturalmente arquitetados na transformação e manutenção da paisagem. Revista de Arqueologia, v.23, pp. 42-59, 2010.

[30] KNAPP, A. B. Ideational and industrial landscape on prehistoric Cyprus. IN: ASHMORE, W. ; KNAPP, A. B. Archaeological of Landscape – contemporary perspectives. Oxford: Blackwell Publishers, pp. 229-252. 1999.

[31] LÁZZARIS, G. L. Relatório de prospecção da PCH Serra das Agulhas. Belo Horizonte: Sigma Energia/ IPHAN-MG, 2011.

[32] LEITE, V. A. Estudo Diacrônico-Estilístico da Arte Rupestre do Sítio Itanguá 06, Complexo Arqueológico Campo das Flores, Vale Do Araçuaí, Minas Gerais. Trabalho de Conclusão de Curso. Diamantina, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Bacharelado em Humanidades, 2012.

[33] LINKE, V. Paisagem dos sítios de arte rupestre da região de Diamantina. Dissertação de Mestrado. Belo Horizonte, Universidade Federal de Minas Gerais, 2008.

[34] MAUSS, M. Ensaio sobre as variações sazoneiras das sociedades esquimó. IN: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Edusp, pp. 237-331, 1974.

[35] MIRANDA, M. P. S. Tutela do Patrimônio Cultural Brasileiro: doutrina, jurisprudência, legislação. Belo Horizonte: Del Rey, 2006.

[36] OLIVEIRA, E. A. Categorias estilísticas da arte rupestre do sítio Mendes I, Diamantina, MG. Trabalho de Conclusão de Curso. Diamantina, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Bacharelado em Humanidades, 2012.

[37] PACHECO, M. L. F. Caracterização geoambiental do Complexo Arqueológico Campo das Flores. IN: FAGUNDES, M. Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha – Relatório 2010-2012. Diamantina-MG: LAEP/UFVJM, IPHAN/MG, 2012.

[38] PACHECO, M. L. et al. Ecologia e Evolução Aplicadas ao Estudo do Registro Arqueológico. Revista de Arqueologia Americana, 29, pp. 27- 52, 2011.

[39] PROUS, A. Arqueologia Brasileira. Brasília: Editora da UNB,1992.

[40] PERILLO FILHO, A. Estudo dos Conjuntos Líticos Pré-Históricos do sítio Itanguá 02, Área Arqueológica de Serra Negra, Alto Vale do Araçuaí, Minas Gerais. Trabalho de Conclusão de Curso. Diamantina, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Bacharelado em Humanidades.

[41] PIRES, U. Análise tafonômica dos restos de vertebrados holocênicos resgatados no sítio arqueológico Serra dos Índios, Diamantina, MG. Diamantina: FCBS, Licenciatura em Biologia, Trabalho de Conclusão de Curso, 2012.

[42] RACZKOWSKI, Wlodzimierz. 2001. Post- processual landscape: the lost world of aerial archaeology? IN: DARVILL, T. & GOJDA, M. One Land, Many Landscapes. Papers from a session held at the European Association of Archaeologists, Fifth Annual Meeting in Bournemouth. Bar International Series, pp.03-07, 1992.

[43] SANTOS, I A. C. Estudo dos conjuntos líticos do sítio Itanguá 02, Campo das Flores, MG. Relatório de Iniciação Científica. Diamantina, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Bacharelado em Humanidades,2013.

[44] SCHLANGER, S. Recognizing persistent placess in Anasazi settlement systems. IN: ROSSIGNOL; WANDSNIDER. Space, time, and archaeological landscapes. New York and London, Plenum Press, pp. 91- 112, 1992

[45] SILVA, A. C. Caracterização Pedológica do sítio Itanguá 02. IN: FAGUNDES, Marcelo. Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha – Relatório 2010-2012. Diamantina-MG: LAEP/UFVJM, IPHAN/MG, 2012.

[46] SILVA, A. C.; PEDREIRA, L. C. V. S.F.;ALMEIDA ABREU, P. A. 2005. Serra do Espinhaço Meridional: Paisagens e Ambientes. Belo Horizonte: O Lutador, 2005. 272p.

[47] SOLARI, A.; ISNARDIS, A. ; LINKE, V . Entre Cascas e Couros: Os sepultamentos secundários da Lapa do Caboclo (Diamantina, Minas Gerais). Revista Habitus, v. 10, p. 115-134, 2012.

[48] TAMEIRÃO, J. R. Além das Pedras: uma abordagem tecnológica do conjunto artefatual do sítio arqueológico Mendes II, Diamantina, MG. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso. Diamantina, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Bacharelado em Humanidades.
Publicado
2013-12-24
Como Citar
FAGUNDES, Marcelo. O Projeto Arqueológico Alto Jequitinhonha (PAAJ) e a Área Arqueológica De Serra Negra, Alto Araçuai, Minas Gerais – Aspectos Gerais. Revista Espinhaço | UFVJM, [S.l.], p. 68-95, dec. 2013. ISSN 2317-0611. Disponível em: <http://www.revistaespinhaco.com/index.php/journal/article/view/33>. Acesso em: 01 oct. 2020. doi: https://doi.org/10.5281/zenodo.3967702.
Seção
Artigos